Corra ratinho, corra!

Corra, ratinho, corra. É assim que muita gente está vivendo, correndo sem saber o porquê, seguindo modelos e padrões que já não servem mais, que não dão resultados efetivos para todos.

Robertt Kiyosaki em seu famoso livro “Pai Rico, Pai Pobre” citou a expressão “Corrida dos Ratos” como o local onde estão a maioria das pessoas. A referência é quanto à corrida desesperada que os ratos de laboratório fazem dentro das gaiolas. Correm, correm, correm…e no máximo o que ganham é um pedaço de queijo.  Na sequência, voltam para o isolamento e logo serão “soltos” no mesmo caminho, em busca de um novo pedaço de queijo.

 

Não questionam nada, não sabem que existe vida lá fora. Igualzinho muitos de nós.

Fomos educados a trilhar o caminho do sucesso (a nossa corrida dos ratos):

Estudar > se preparar para o vestibular > fazer faculdade > arrumar um emprego > crescer na carreira > fazer uma especialização > pagar impostos > financiar casa e carro > trabalhar pra pagar os financiamentos > ganhar um pouco mais > pagar mais impostos > fazer mais dívidas > arrumar outro emprego > ganhar mais > pagar ainda mais impostos > aumentar o padrão de vida > fazer mais dívidas > trabalhar ainda mais para pagar as dívidas > virar refém do banco, do governo e do patrão.

 

Ter filhos e então ensiná-los que este é o melhor caminho.

Trabalhamos pelo dinheiro do mês e criamos necessidades de consumo cada vez maiores. E com isso, você tem que ganhar mais e assim você tem que trabalhar muito mais para manter a aparência de cidadão padrão bem-sucedido no melhor estilo “comercial de margarina”.

E não basta ter uma boa carreira, você tem que fazer networking.

E você tem que ficar até mais tarde nos encontros de turma, nos happy hours.

E você também tem que se vestir bem, viajar para o exterior, ler bons livros, ter um bom carro, morar numa boa casa ou apartamento. E para isso, você tem que trabalhar mais.

 

E tem que consumir mais.

E pagar a conta – em tempo e dinheiro – por cada “conquista” realizada.

Consegue imaginar os ratinhos correndo? Nunca saem do lugar. A promessa do queijo (ou de mais status, de uma vida melhor) sempre está lá na frente. Possível, mas nem todos alcançarão.

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Podemos nos responsabilizar pela nossa vida e carreira, mas não fomos educados e treinados para isso, e sim para fazer o que todos fazem. A sociedade nos cobra para “sermos iguais aos demais”. Fazer o que todos fazem a vida inteira, sem questionar, sem quebrar os padrões pré-estabelecidos. Você tem que ser alguém. Alguém igual a todo mundo!

 

Entretanto você não tem que nada.

Podemos fazer nossas próprias escolhas, criar nossas próprias regras e modelos de felicidade, quebrar as regras e o ciclo de uma vida comum à todos.

 

E como mudar isso?

Quebrar este ciclo não significa estudar ou trabalhar menos, pelo contrário. Tudo o que foge do convencional precisa de maior esforço para ter resultado. Fazer algo diferente de todo mundo começa pelo desafio de convencer as pessoas de que você não enlouqueceu, de que sua ideia é possível.

Nada do que foi feito até aqui é perdido – experiências, conhecimentos e habilidades devem ser utilizados e potencializados.

 

Eles são a sua força, mas não quem você é.

E assim, aquele título da formação em engenharia pode continuar na parede, mas desta vez na parede de uma academia de dança. O diploma de direito ilustrará um blog de moda. As habilidades em informática ajudarão a compor as novas atividades do novo profissional de marketing.

Junto a esta nova realidade virá muito trabalho, muitos novos estudos e noites sem dormir.

 

Crescer dá trabalho. Evoluir dá trabalho. Reclamar dá trabalho. Sofrer dá trabalho.

Você tem que definir qual trabalho quer e qual resultado busca. Se você quer ser feliz e realizado ou seguir os sonhos que nem são seus.

A vida recomeça todo novo dia, no instante em que acordamos e decidimos ser a nossa versão autêntica e não uma simples cópia, robô, ou um ratinho assustado, preso na gaiola e que todo final de mês ganha um pedacinho de queijo.

 

Se você não leu o livro, aqui vai um trecho da introdução de “Pai Rico, Pai Pobre” de Robertt Kiyosaki:

“ Um dia, em 1996, um dos meus filhos chegou em casa decepcionado com a escola. Estava aborrecido e cansado de estudar.

– Por que tenho que perder tempo estudando coisas que nunca aplicarei na vida real? – protestou.

Sem pensar, respondi:

– Porque se você não tiver boas notas, você não vai entrar na faculdade.

– Mesmo que não entre na faculdade – replicou – vou ficar rico.

– Se você não se formar, não vai conseguir um bom emprego – respondi com uma ponta de pânico e preocupação maternal.

– E se você não tiver um bom emprego, como é que você pode ficar rico?

Meu filho deu um sorrisinho forçado e balançou a cabeça. Já tínhamos levado este papo várias vezes. Ele abaixou a cabeça e desviou o olhar. Minhas palavras cheias de sabedoria materna caíam novamente em ouvidos surdos. Embora esperto e determinado, ele sempre se mostrou um garoto bem-educado e respeitador.

– Mãe! – começou. Era minha vez de ouvir um sermão. – Caia na real! Olhe o que está acontecendo. As pessoas mais ricas não ficaram ricas por causa do estudo. Veja o Michael Jordan e a Madonna. Até o Bill Gates largou Harvard para fundar a Microsoft, e ainda tem pouco mais de trinta anos. Há um arremessador de beisebol que ganha mais de US$4 milhões embora digam que é “retardado mental”.

Seguiu-se um prolongado silêncio.

Percebi que estava dando a meu filho os mesmos conselhos que meus pais tinham me dado. O mundo havia mudado, mas os conselhos continuavam os mesmos. Boa formação e notas altas não são mais suficientes para garantir o sucesso e ninguém parece ter se dado conta, a não ser nossos filhos.” 

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