Estamos pagando com a vida pela nossa frustração profissional

Na última semana atendi a Camila*, que veio se queixando de frustração profissional. Analista de uma grande empresa, Camila aos 29 anos está perdida na carreira, sem enxergar perspectivas de médio e longo prazo.

 

Já não havia visão de longo prazo, e a visão de curto prazo era um cenário tenebroso: todos os relatos dela sobre o trabalho atual contavam histórias sobre cansaço, excesso de trabalho, distanciamento dos amigos e da família, a saúde e a qualidade de vida se deteriorando e um sentimento crescente de falta de valorização.

 

Com grande esforço, Camila chegou onde está hoje.

Formou-se em engenharia. Estudava a noite e à partir do 2o ano já trabalhava. Se esforçou para estudar inglês, conseguiu inclusive ir 2 vezes ao exterior, fazendo intercâmbio de férias.

Pós-graduação completa e muita dedicação no trabalho, foi crescendo na carreira, ganhando confiança e credibilidade na área de supply chain, onde atua.

E pronto, um bom cargo em uma grande empresa, com bom salário e benefícios, plano de carreira e o título de ter uma “bela carreira pela frente”.

Mas com uma expressão cansada, um suspiro triste vez ou outra…

 

um trabalho desgastante e sem sentido, um sentimento diário de:

 

“o que eu estou fazendo aqui?”.

 

Essa é a história de Camila e de muitos profissionais que procuram apoio para definir os próximos passos de carreira:

 

  • O que eu fiz até aqui é o que eu realmente quero fazer para o resto da vida?
  • Vale a pena o esforço pelo que estou abrindo mão na minha vida pessoal?

 

 

E então é onde nos deparamos com programas e histórias que não cabem na vida da maioria, ressalto MAIORIA, das pessoas:

  • largue tudo e trabalhe viajando, curtindo a vida;
  • faça apenas o que você ama;
  • “vire” empreendedor e trabalhe muito menos e ganhe muito mais;
  • encontre um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia da vida;
  • ganhe na loteria;
  • vá trabalhar na profissão do momento e fique rico e feliz.

 

Ok, algumas pessoas seguem estas máximas da felicidade profissional e realmente se dão bem. Mas são minoria. E mesmo para estas pessoas, muitas terão noites sem dormir, atividades que entram noite a dentro, abdicações de finais de semana em família e muitas tarefas chatas a serem executadas mesmo que você esteja no melhor emprego do mundo.

 

Para a outra parcela da humanidade – e eu diria a maioria – encontrar a felicidade, a satisfação no trabalho vai um pouco além.

 

Significa continuar trabalhando e junto à isto tentar ajustar o máximo que pode.

 

Inclui fazer um planejamento financeiro, ter garantias de que poderá pagar as contas no final do mês ou sobreviver um período sem receitas, antes de tentar algo novo.

 

E inclui talvez perder esta reserva e se ver tentando novamente um emprego merda-insatisfeito para poder juntar mais dinheiro e tentar mais uma vez algo novo –  seja um negócio próprio ou uma carreira numa nova área.

 

Para outros tantos, trabalhar inclui o orgulho em pertencer à grandes empresas, ter um cargo, uma mesa ou sala bonita, um cartão de visitas com seu nome escrito.

Grandes empresas

 

Ainda temos que levar em consideração o mais básico dos elementos: perfil e necessidades!

 

Por mais que muita gente até tenha vontade de fazer coisas muito diferentes, nem todo mundo vai se aventurar. Nem todo mundo tem perfil para trabalhar em casa ou de qualquer lugar do mundo, nem todo mundo tem perfil para empreender.

 

Na dúvida podemos consultar um dos mais conhecidos estudos sobre necessidades humanas: A teoria de Maslow. Lá na base da pirâmide estão as necessidades fisiológicas e de segurança: comida, sono, um emprego, benefícios que preservem a saúde, recursos financeiros, preservar a família, a saúde, a propriedade.

 

Só depois de termos estas duas necessidades supridas começamos a nos preocupar com as demais: relacionamento, estima, realização.

 

 

Pirâmide das necessidades de Maslow

 

E na nossa sociedade, a maior parte da população ainda luta para ter garantido os 2 primeiros pilares.

 

E o que eu faço agora?
Fico insatisfeito ou chuto o balde?

 

Existe um princípio básico que é entender o que realmente faz bem para você.

 

E aqui se inicia o nosso maior erro.

 

Não paramos para pensar no que nos serve, seguimos a vida correndo atrás de modelos de sucesso pré-estabelecidos. E então vem a frustração profissional.

 

Um exemplo clássico é como escolhemos a carreira.

 

Normalmente esta escolha se faz de três formas:

  • Opinião e espelhamento das vontades familiares;
  • Primeiras experiências profissionais ou de estudo, ganhando aptidão por determinado assunto ou área;
  • Escolher uma das profissões promissoras do momento ( seja médico – engenheiro – advogado que será feliz!).

 

Esta escolha acontece muito cedo. E por isso, cada vez mais cedo os profissionais estão frustrados. Testamos e seguimos o modelo da felicidade (faculdade – inglês – pós / MBA – um bom cargo / salário – um carro bonito), mas muitas vezes ele não funciona.

 

E seguir este modelo padrão não está errado, apenas temos que nos perguntar:

  • É isso mesmo que quero?
  • O preço que estou pagando para cada conquista, vale a pena?

 

Não nos questionamos, não avaliamos, e o tempo passa. A vida passa.

O tempo passa

 

E cada vez tem mais gente infeliz.

Na última pesquisa que realizamos sobre o tema, chegamos em 71% das pessoas insatisfeitas com o trabalho!! Fomos atrás de outras fontes, no Brasil e no exterior, e todas falam de insatisfação profissional em torno de 80 a 85% na faixa etária dos 30 anos (como nesta pesquisa de 2016 da Giacometti Comunicação).

 

Passaremos a maior parte das nossas vidas trabalhando!! Não faz sentido o trabalho continuar sendo algo tão penoso. Não faz sentido esta frustração profissional.

 

Faz?

 

Quando algo vai mal, temos escolhas:

  • Sofrer e reclamar;
  • Ajustar alguns fatores, buscando melhorar o cenário;
  • Mudar tudo.

 

Sofrer é opcional. Ajustar ou mudar a situação depende de cada um de nós. As vezes nos prendemos no sofrimento por acharmos que nosso problema não tem solução. E sempre tem, só que dificilmente será da noite para o dia.

 

Quantos casos você conhece de pessoas que sofreram um grande trauma ou perda e então mudaram tudo? Nos recusamos a mudar, a sair da zona de conforto.

Até que o pior acontece. Quando há tempo hábil, as pessoas mudam. Outras infelizmente não possuem este tempo.

Ajustar ou mudar é um ciclo que se inicia na identificação do problema.

Analisar, planejar as alternativas e iniciar as mudanças através de um plano de ação.

 

Comece se questionando, refletindo para identificar a sua real insatisfação.

 

Os 6 principais questionamentos sobre carreira que você tem que responder:
  • Faço o que gosto e sei fazer bem o que faço na maior parte do dia?
  • Se eu trabalhasse em outra empresa, na mesma área, estaria mais motivado?
  • Gosto da minha profissão ou apenas de algumas tarefas dela?
  • Como posso fazer uma transição de carreira, de área, de segmento ou profissão?
  • Quais resultados quero e como faço para conquistá-los: crescimento, salário, reconhecimento, qualidade de vida?
  • Qual seria meu plano B, C,D… se o plano A não der certo?

 

Seja qual for a meta, por mais difícil que seja, talvez você não possa não conseguir realizá-la em seis meses. Mas pode conquistá-la em 2 ou 6 anos.

 

É necessário começar.

 

O mais importante: começar na direção certa!

 

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(* Camila é nome fictício)

 

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