Deixe a louça na pia – Sobre aprender o que realmente é importante pra você

Saber o que é importante para você, deveria ser quase lógico… só que não!

Mas…

Não deu tempo!

Quantas vezes você repetiu isso na última semana, nos últimos dias?

 

Nós mulheres acumulamos papéis e responsabilidades com a mesma facilidade que a pia acumula louça pra lavar (aqui em casa a louça brota na pia!!!).

 

Eu também já falei muito essa frase, num mix de culpa e desculpa.

 

Desculpa por não ter feito o que não queria mesmo fazer e culpa por não ter conseguido dar conta de tudo que precisava.

 

Questione-se:

  • O que não queria, porque não disse não.
  • O que precisava, tinha mesmo que você fazer e naquele momento?

Analise quantas “obrigações” você tem diariamente.

 

Eu posso falar da minha vida.

Hoje, domingo, já dei uma “ajeitada” em mim, lavei roupa, fui ao supermercado, respondi e-mails de trabalho, cuidei da minha horta, fiz almoço, lavei louça, sai com as amigas pra dar uma volta, conversei com a filha, ajudei ela a arrumar as coisas pra semana e se organizar, divulguei meu evento da semana e enquanto escrevo este texto sinto um cheiro do doce de abacaxi que eu cozinho lentamente aqui perto.

 

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E isso se repete diariamente, com algumas mudanças, dia após dia, bem provável que igual ao seu dia. Diariamente eu lavo, cozinho, me cuido, trabalho, escrevo, faço mkt, também sou o office boy e o financeiro da minha empresa.

 

Tudo cabe em 24h.

 

A grande gestão do tempo é quando começamos a fazer tudo caber neste espaço de tempo e de forma harmônica, leve.

E pra isso, não tem mágica ou sacada genial de um milhão de dólares (mas se alguém quiser pagar pela dica, ok também, posso comprar uma máquina de lavar louça).

 

Pra fazer tudo caber no seu dia, você precisa saber o que realmente quer e precisa fazer. E dizer não ao resto, sem peso e sem cobrança.

 

Somos bons em nos chicotear e cobrar perfeição – que não existe.

 

Faço questão de comprar meus legumes orgânicos e cozinhá-los, fazer almoço e janta, preparar uma alimentação balanceada pra minha família.

Mas não me cobro se tenho outras atividades e o almoço de um dia será macarrão com molho ou o marmitex meia boca da esquina.

Não será por uma ou duas refeições que todos terão anemia ou queda na imunidade, tenho fé.

 

 

Não faço mais unha sempre e não me cobro por isso, não tenho vergonha de mostrar minhas mãos de quem lava louça por aí.

 

Também não sinto a mínima vergonha em estar cansada e deitar depois do almoço pra um cochilo, quando consigo.

 

Assim como não me culpo por estar trabalhando até tarde e não conseguir dar boa noite pra minha filha em vários momentos.

 

Mas quando olho pras pessoas, quando me comparo, surge uma dúvida: será que estou agindo certo? Fulana é ótima em tal coisa. Saiba, ela provavelmente tem os mesmo problemas que você, apenas não fala sobre eles.

 

Nos comparamos com a visão idealizada dos outros e com os mil conselhos de revistas e especialistas.

Mas quem entende de você é você.

 

Eu sou mega especialista em Lilian. Sei o que me serve, o que gosto, o que preciso.

 

Você sabe sobre você? Sabe sobre o que realmente te faz bem e feliz ou está agindo para agradar aos outros e para se enquadrar nas páginas de revistas sobre Filhos, Casa, Corpo e Carreira? (que mudam suas pautas mensalmente: o ovo que faz bem hoje poderá ser o vilão da próxima edição) .

 

Acredite: seus filhos não morrem se jantarem besteira uma noite ou se forem dormir sem tomar banho, com os pés pretos de terem andado descalço pela casa, suja. E a louça também não muda sua estrutura após passar a noite toda suja na pia. Ela continua louça, e suja, esperando você. Você quem se cobra. O mundo continua mundo, ele gira com ou sem você.

 

Assim como as pessoas, em geral, só irão te ajudar quando você pedir.

 

Pra ter ajuda precisamos descer do salto de superioridade de mulher-maravilha que dá conta de tudo e dizer que não damos conta.

 

 

E deixar o outro fazer, de verdade, sem supervisionar a cada 3 segundos ou querer impor a técnica perfeita. Peça ajuda, delegue, e deixa os outros serem eles, agirem do jeito deles.

 

Não temos que fazer nada. Fazemos porque, por algum motivo, assumimos vários trabalhos e atividades e nos recusamos a olhar pra gente mesmo e ver o que faz sentido, o que queremos de verdade fazer.

 

Para nós.

 

Porque para mim é importante e não pelo que os outros vão achar ou em qual manual da pessoa perfeita está escrito.

 

Tenho que estar linda, ser culta, cuidar da casa e dos filhos, ter uma carreira excelente, etc. etc. etc. …

Na verdade, não temos nada disso.

Fazemos em geral porque queremos, escolhemos, optamos.

 

O que temos é que ser quem a gente é, de verdade.

 

Saber que se algo não faz sentido é só deixar de faze-lo ou dar um jeito pra que ele aconteça com menos esforço, menos cobrança.

 

Pergunte para o seu marido ou filhos, se eles preferem o jantar balanceado ou você sentada ao lado deles, sorrindo e feliz. Já sabemos a resposta, mas servimos primeiro o jantar.

 

Eu reconheço que sou imperfeita, erro bastante, muitas vezes estou cansada ou somente com vontade de não fazer nada e ficar jogada no sofá. E está tudo bem.

 

Vivo bem e no meu tempo.

Sem culpas, sem desculpas.

 

Decido este texto em especial a duas queridas amigas e tantas conversas e reflexões, Raquel e Fabiane

 

Ps. Escrevi este texto com uma visão bem feminina, bem “minha” sobre o tema (mãe, mulher, profissional), mas tem várias reflexões para os homens, para suas vidas e para ajudarem as mulheres com as quais convivem – mães, esposas, filhas…

 

 

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