Do essencialismo ao desapego – Como reduzir o ritmo sem reduzir suas realizações

Algumas “palavras mágicas” tem rondado meus discursos e pensamentos, ganhando cada vez mais força não só em minhas palavras, mas também em minhas ações:

 

SIMPLIFICAR – DESAPEGAR – DESACELERAR

 

Essa pausa que fazemos na correria insana, para olharmos para o que é essencial em nossas vidas, normalmente começa pela contramão da calmaria. Se inicia exatamente do lado oposto, no tumulto, no excesso:

 

Corremos atrás de fazer tudo ao mesmo tempo, não deixamos nada pra depois, nos cobramos de ser cada vez mais presentes e eficientes.

 

A busca incessante por resultados, que foi tão martelada no mundo corporativo, virou cobrança pessoal: nossa vida, nossa rotina e até a vida dos nossos filhos ganhou alta demanda, excesso de compromissos e cobranças sem fim.

 

Precisamos ganhar, competimos entre nós o tempo todo e com isso temos que ter alta performance 24h por dia.

 

Se você ainda não leu o artigo sobre Canibalismo Moderno e a Competição Desenfreada, leia aqui 

 

 

 

A palavra que mais se ouve nas empresas e nas redes profissionais é aumento de performance! Só que aprendemos errado, confundimos aumento de performance com trabalhar mais, mais, e cada vez mais!

 

A grande questão é que toda essa pressão tem cobrado um preço alto: estamos cada vez mais estressados, adoecendo física e psicologicamente cada vez mais cedo.

 

Li uma entrevista concedida pelo Dr. Fernando Fernandes, médico psiquiatra do Programa de Transtornos do Humor da USP, em que ele cita que o estilo de vida mudou muito nas últimas décadas, e que isso está contribuindo diretamente para o aumento das doenças em geral.

 

Olho para meus cliente de coaching, que chegam frustrados, cansados, esgotados pelo excesso de trabalho, e posso confirmar isso como um fato: as pessoas estão adoecendo porque não se cuidam, não tem tempo para si e não sabem mais relaxar.

 

Antigamente (mas nem tanto tempo atrás), não tínhamos celulares e laptops, por exemplo. Quando chegávamos em casa, o dia todo, seja através de uma ligação, uma mensagem via whatsapp da equipe ou uma checada rápida nos e-mails mesmo quando estamos de férias.

E no trabalho, a mesma coisa. Estamos lá, mas também pensamos e fazemos questões domésticas. Tudo ao mesmo tempo!

 

Isso tem um preço, e ele é caro.

 

 

Aumento de produtividade e excelência de resultados é um caminho sem volta.

 

Com a competitividade do mercado de trabalho e no ambiente empresarial, a pressão por redução de custos, aumento de resultados e a busca por soluções inovadoras é uma constante.

 

 

E o que podemos fazer para ter excelentes resultados, na vida, na carreira, nos relacionamentos, sem enlouquecermos e nem ficarmos doentes?

 

 

O primeiro item: SIMPLIFICAR!

 

Analise o que é essencial na sua vida, na sua carreira, em suas ações diárias. E tudo o que pode ser eliminado ou simplificado.

 

Perdemos muito tempo fazendo coisas que poderíamos simplesmente deixar de fazer!

 

Greg McKeown, autor do Best Seller Essencialismo e nomeado um dos “Jovens Líderes Globais” pelo Fórum Econômico Mundial diz que o “Essencialismo traz mais produtividade, menos estresse e mais alegria”.

 

A teoria chega a ser simplista: dizer não a tarefas irrelevantes para investir seu tempo e energia naquilo que realmente lhe trará resultados, que seja essencial. Como resultado desta concentração e foco, seu desempenho aumenta.

Atenção aqui – não serve qualquer resultado, só devemos investir tempo, energia, foco etc. naquelas coisas que nos levarão à conquista daquilo que avaliamos e definimos como ESSENCIAL. Sabe quando usamos aquela frase: “Isso aqui é o que me trará aquilo que quero!“.

 

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Exercitando:

Liste tudo o que você faz durante uma semana, em casa e no trabalho. Olhe para estas atividades e mensure o resultado real de cada ação. Para cada item pergunte-se: Fazer esta atividade me trará bons resultados, impactará positivamente em minhas metas, objetivos, sonhos?

 

Se a resposta for qualquer coisa diferente de um enorme e convicto SIM, elimine. Simples assim.

 

 

Segundo item: DESAPEGAR.

 

Esta é uma atividade que venho treinando já tem algum tempo.

Desapegar: eliminar coisas, pessoas, sentimentos, atividades. Está ligado a você olhar para aquilo que realmente precisa na sua vida, eliminando todo o resto, tudo o que for supérfluo.

Em determinado momento comecei a perceber que eu tinha tarefas a realizar devido a coisas que eu possuía, ou pessoas que frequentavam minha vida. E que eu não precisava.

 

Sabe quando você vai tirar pó da casa e percebe que gastou uma hora só tirando pó dos enfeites da sala? E se não existissem os enfeites, ou guardasse os que gosta dentro de gavetas ou armários para utilizá-los somente quando fosse necessário, eles não empoeirariam e assim daria menos trabalho a limpeza semanal.

Ao invés de gastar uma hora na tarefa, em 10 minutos já teria terminado. Pronto! Ganhei 50 minutos no dia. Fez sentido pra você?

 

E não é só desapegar, consiste também em organizar: deixar as coisas que usa mais em um local de fácil acesso, por exemplo, se desfazer daquela roupa linda, que você ama, mas que só de olhar pra ela já precisa passar pra sair de casa…e lá se vai mais meia hora do seu dia perdido.

 

São escolhas, opções. Nestas análises, desapeguei de pequenas tarefas domésticas: não seco louça, não passo roupa, não faço a unha toda semana. Não significa que você tenha que fazer isso, apenas que você pode olhar pra cada coisa, pessoa, atividade e falar: eu preciso mesmo disso?

 

O prazer e o resultado que a tarefa te traz condiz com o tempo / energia que você dedica a ele?

 

Desapego é um processo lento e duradouro, a ser praticado sempre.

 

Exercitando:

Analise o que ocupa tempo e espaço na sua vida desnecessariamente: coisas, pessoas, atividades, sentimentos. Se tiver dificuldade, e é bem comum ter, foque em pequenas partes: comece com uma gaveta, um armário, ou uma área da sua casa, do seu trabalho ou da sua vida.

 

Vá eliminando aos poucos o que você não precisa mais. Se tiver dúvidas teste ficar sem algo por um tempo, tire de circulação e sinta se realmente vai fazer falta antes de desapegar completamente.

Depois, jogue fora, doe, venda. Elimine. Não adianta tirar algo do lugar e depois deixá-lo esquecido em outro, nem deixar tarefas esquecidas e depois elas virarem urgências. A eliminação tem que ser definitiva.

 

 

Terceiro item: DESACELERAR

 

Se você já começou a praticar os dois itens anteriores, este ficará mais fácil. Desacelerar é realmente reduzir o ritmo, apaziguar a cobrança, entender e respeitar o seu ritmo e o movimento natural da sua vida.

 

É viver o hoje, o agora, o momento presente.

Eliminar as preocupações (“pré” + “ocupações”) e reduzir a ansiedade.

 

Saber quem você é, o que te faz feliz e diminuir a cobrança externa.

 

Certo dia um amigo recebeu uma boa promoção e saiu com a esposa pra comemorar, jantaram num restaurante bom. Então, ele me disse que tirou uma foto linda dos dois, com um aquário ao fundo e que ia postar no Facebook, só que na hora pensou melhor e resolveu não postar. Questionei sobre o porquê, se ele queria, e ele me disse:

 

“Eu queria, estava feliz e pensei em mostrar isso pra todo mundo, mas fiquei com medo de ser mal interpretado. Tanta gente desempregada, a situação política e econômica como está, no mesmo dia havia caído um avião com um ministro – não tinha clima, eu fiquei com receio das pessoas me julgarem como arrogante, insensível.”

 

A cada momento nossos amigos, o noticiário e até a própria família tentam nos convencer de que o mundo é um lugar ruim, de que tudo vai mal, de que tudo dará errado.

 

E mais: que a culpa pode ser sua.

 

O que isso faz com a gente? Deixamos de comemorar, de vibrar, de viver o presente, de expor a nossa alegria porque nos sentimos um pouco culpados pelo insucesso ou dor dos outros.

 

Ter compaixão não significa deixar de celebrar e viver bem o que você tem e fez. Significa sim, saber como você pode ajudar aos outros. Só dá algo quem tem esse algo.

 

Se você foi promovido talvez consiga ajudar alguém que está desempregado ou apoiar um colega no trabalho para que ele também consiga ter êxito. Viva e celebre o seu momento atual.

 

Também é bastante comum ouvir pessoas que não conseguem aproveitar algo bom porque já estão pensando na próxima ação.

 

Uma amiga lançou seu primeiro livro recentemente. Fez festa, noite de autógrafos, muita gente presente. Passados poucos dias, nos encontramos para um café e perguntei como ela estava, se estava curtindo a fase de ser escritora, e ela me respondeu: “Estou em pânico, escrevendo meu segundo livro e ainda não sei como farei para as pessoas gostarem tanto deste como foi com o primeiro.”

 

Buscamos sucesso atrás de sucesso.

E não saboreamos as conquistas e nem nos damos tempo para absorver os aprendizados. É como se o tempo todo houvesse uma cobrança de “próximo, próximo, próximo”.

 

 

Celebrar as conquistas e praticar a gratidão são formas lindas e leves de se conectar com o presente. Tenha o hábito de ter um caderninho do bem, registre as coisas boas que acontecem com você, como num diário. Pode ser uma pequena ou grande realização, anote. Leia no final do mês, no final do ano, ou quando sentir qualquer tensão, ansiedade. Veja o quanto você tem conquistas a celebrar. Olhe para o que você já possui, já fez, já aprendeu até aqui, seja grato, se fortaleça e siga adiante.

Sem pesos, sem cobranças. Apenas gratidão e aprendizados.

 

Exercite: Hora de se conectar, com o agora, de verdade. Experimente deixar o celular de lado ao assistir TV, durante as refeições, ao falar com as pessoas, ao sair de casa para um passeio. Olhe em volta, olhe nos olhos das pessoas, repare em tudo ao seu redor.

Ao final do dia, pare por alguns minutos e tente se lembrar do que viveu e registre do que se orgulha, do que sente gratidão neste dia que se encerra.

 

Lembre-se: A vida acontece no presente!

 

Permita-se viver mais leve, sair na rua observando as mágicas que acontecem à sua volta, observe a natureza, cumprimente as pessoas e veja o quanto a vida é boa e existem mil possibilidades para resolver qualquer coisa que acontecer.

 

Tudo fará sentido na vida, se soubermos quem somos, o que realmente importa pra nós e se seguirmos e acreditarmos mais em nosso coração.

 

 

 

 

 

 

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