Corra atrás dos seus sonhos, mas não morra tentando

Em geral, quando pensamos em alguém com alta performance profissional, associamos à imagem de uma pessoa que abriu mão de sua vida pessoal, tem pouco tempo pra família, pros amigos ou até mesmo pra cuidar de si e da própria saúde.

 

Os modelos sociais muitas vezes nos colocam numa corrida acelerada em busca de: comparação, competição, sermos cada vez melhores e termos cada vez mais coisas.

 

Nisso,  muita gente confunde a performance profissional com a quantidade de trabalho, porém a performance está muito mais ligada à qualidade e objetivo do trabalho executado.

 

Quando falamos sobre performance aliada a qualidade de vida, um ponto é fundamental: definir prioridades e ter clareza sobre o que você realmente está buscando, o que te faz bem, na vida e na carreira – sem separar as coisas!

 

1 – Reveja seus objetivos. 

 

 

Nestes tempos onde o que mais ouvimos são frases motivacionais e o surgimento de gurus e grupos de alta performance, aqui estou eu falando sobre desistir!

 

 

Sim, desistir de algumas coisas.

Mas não de forma aleatória, e sim, entendendo o que realmente faz sentido pra você, aliviando um pouco a cobrança e seguindo com  maior foco.

 

A maioria das pessoas está passando por buscas incessantes atrás de dinheiro suficiente para fazer o que quiserem, um trabalho com propósito e que amem profundamente, uma família feliz de comercial de margarina, um amor eterno, um corpo saudável, lindo e escultural.

 

E dá pra conquistar tudo isso?

 

Dá, mas em geral será necessário muito esforço e dedicação. É preciso saber o que você quer – e o que perde ao correr atrás deste resultado.

 

Por exemplo: sua meta é ter um corpo escultural. Porém, toda sua vida social gira em torno de restaurantes, jantares, encontros regados à comidas –  que você gosta! Qual o peso de abrir mão disso em troca do corpo escultural? Se a troca não te agrada, não te faz feliz, é preciso encontrar o meio termo: reduzir o cardápio e não eliminá-lo. 

 

 

É um exemplo bem simples, apenas para que você entenda o conceito, sobre o preço que pode estar pagando para correr atrás de questões cobradas pela sociedade – e que você talvez nem tenha certeza de que queira de fato.

 

Sempre que excluímos de nossa vida aquilo que é fundamental em troca de uma meta, temos a tendência de desistir no meio do caminho, na primeira dificuldade.

 

Você sabe o que realmente é fundamental na sua vida? Do que você não abre mão?

 

 

E do que vem abrindo mão dia após dia, correndo atrás de sonhos que você nem sabe ao certo se são seus de verdade?

 

 

 

2 – Foque no que realmente é bom e o resto delegue as atividades

 

Sempre tentamos ser os melhores e por isso muitas pessoas preferem se autodelegar responsáveis por tudo. Essa sobrecarga acaba nos incapacitando de exercer até mesmo as tarefas que realmente somos bons.

 

Quando possível, delegue para outras pessoas a execução de atividades nas quais você não possua alta habilidade ou que não estejam ligadas diretamente ao resultado. Defina o que é prioridade, o que somente você precisa fazer – e delegue todo o resto

Delegar significa treinar e capacitar, leva tempo. Mas se você gasta mais tempo pra delegar do que fazer, a médio e longo prazo essa curva se inverte, as pessoas aprendem, ganham autonomia – e você ganha mais tempo para mergulhar em outras atividades.

 

Por isso é importante saber liderar, mesmo não estando no papel oficial de líder.

 

3 – Fazer o que se ama é maravilhoso. E isso pode ser ruim. 

 

Quando buscamos uma atividade ou profissão que amamos, enxergamos que tudo pela frente será maravilhoso, com atividades prazerosas, momentos felizes. Porém mesmo na melhor profissão do mundo existem tarefas e dias ruins. Situações que você irá querer protelar, não fazer. Ou o contrário: momentos em que você irá se apaixonar pelo que faz e acabará fazendo coisas sem sentido, que não precisavam ser feitas: e que você faz apenas porque ama, perdendo tempo e produtividade.

 

4 – Qual o preço que você vai pagar pelo que quer conquistar?

 

Seja para conquistar um cargo, comprar uma casa, ter e criar filhos, realizar uma grande viagem dos sonhos: cada sonho envolve um processo de conquista, com ganhos e perdas pelo caminho.

 

Tudo tem um preço.

 

 

E este preço pela busca pela da satisfação e da felicidade suprema à longo prazo pode estar te impedindo de uma coisa fundamental: ser feliz e satisfeito com sua vida hoje, da forma como ela está!

 

 

Nos preocupamos tanto com o futuro, com as conquistas que estão por vir, com o que podemos realizar que esquecemos de viver o presente de forma plena.

 

Vivemos acelerados e em busca de resultados futuros e rápidos.

 

Jovens de vinte e poucos anos querem ter a carreira, o patrimônio e os carimbos no passaporte que seus pais só foram conquistar lá pelos cinquenta anos de idade.

 

 

Ilustração sobre performance profissional

 

Muitas vezes, estamos correndo atrás da performance profissional e perdendo o prazer e a satisfação de apreciar as pequenas conquistas, já absorvidos pelo pensamento de: o que mais podemos fazer, ter, conquistar.

 

 

Próximo, próximo, próximo…  e não aproveitamos o presente, não saboreamos nossas pequenas conquistas.

 

Me lembrei de uma cena: estava visitando o Aquário de São Paulo, parando em meio ao caos de turistas afoitos, tentando observar o nado tranquilo, as cores e a delicadeza de cada peixe.

 

Recebo um empurrão com um ombro, seguido de uma criança de uns 6 anos que entrou na minha frente, entre eu e o vidro, com um tablet enorme. A criança, o pai – que me deu o empurrão – e a mãe, estavam cada qual com seu equipamento fotográfico em mãos.

 

Não se falavam, apenas corriam para o próximo tanque, para fotografar mais rapidamente o próximo peixe. Eles não olharam em nenhum momento com os próprios olhos para nada. Tampouco se olharam, falaram entre si ou comentaram sobre o que presenciavam. Eles não estavam ali de fato.

 

A preocupação era: o próximo, próximo, próximo.

 

Afinal, o que eles aproveitavam do passeio?

Tiravam fotos que provavelmente ninguém nunca irá ver.

 

melhore sua performance profissional

 

5 – Sobre nossos desejos e necessidades

 

Hoje temos possibilidades e informações exponenciais

Isso também nos traz vontades e desejos exponenciais.

 

Vivemos afoitos e acelerados.

 

Nossos pais, tios e quem dirá avós sequer sonharam em ser, ter ou fazer um terço do que nós podemos ser, ter e fazer hoje.

 

Pirâmide das necessidades de Maslow

 

Maslow, em sua teoria que resultou na pirâmide das necessidades humanas, explicou o que vivenciamos hoje: conforme subimos um nível, conforme suprimos uma das necessidades, podemos vislumbrar – e ansiamos – pela próxima conquista.

 

Muitos de nós já vieram com as necessidades básicas e de segurança supridas pela família. Neste caso, fica muito mais fácil pensar em propósito e satisfação na carreira, por exemplo.

 

Nossos antepassados sonhavam com saúde, emprego e renda.

Logo, é natural podermos sonhar com viagens e em desbravar o mundo, quando nossos antepassados já garantiram itens mais básicos, como ter a casa própria, alimentar e garantir educação para os filhos.

 

Eles garantiram a base pra gente poder correr atrás de algo mais.

 

Se eles não fizeram, observe, provavelmente é o que você enxerga como seu papel e responsabilidade com a geração seguinte: garantir a base para a evolução.

 

Então, antes de sair enlouquecidamente querendo mais e mais, pense se você tem clareza sobre o que quer de verdade, se você consegue identificar o que realmente te faz ou fará feliz.

 

 

Muita gente está se matando para conquistar algo que não quer, algo que não fará diferença de fato em sua vida.

 

Correndo atrás apenas porque aprendeu que tinha que ser assim, porque todo mundo faz, seguindo modelos e padrões.

 

 

Se quiser saber mais sobre este tema, leia este texto: Crenças limitantes: elas podem estar sabotando seus sonhos

 

 

Também desconfie de tudo que te cause sofrimento demais.

O que é para ser seu até pode necessitar de trabalho e esforço para ser conquistado, para haver aprendizado.

 

Mas não precisa haver sofrimento. Sempre que houver dor demais, analise se você está no lugar certo: seja no trabalho, num relacionamento, num local físico.

 

Quando algo requer muito esforço e sofrimento é hora de verificar se esse sonho é seu de verdade, ou se você está desperdiçando a sua vida correndo atrás dos sonhos dos outros.

 

 

Tendo clareza sobre o que você realmente deseja e busca, a chave da alta performance é exatamente focar no que precisa ser feito, para garantir o resultado. Pra isso, existem muitas técnicas que podemos utilizar para ajudar no processo.

 

 

Delegando, deletando ou deixando pra depois tudo o que não for realmente fundamental na sua vida.

 

 

Recorra ao coaching para melhorar sua performance profissional

 

O coaching é um processo no qual um coach profissional apoia no desenvolvimento das competências, através de sessões individuais para planejar, estabelecer metas, dirigir, inovar, tomar decisões e, com isso, alcançar resultados em nível de excelência. É um profissional importante e que realmente ajuda a administrar o tempo e conseguir seus objetivos profissionais alinhados ao sonhos pessoais.

 

 

 

Lavando a roupa suja – porque a vida não é feita somente de bons momentos

Hoje é domingo, voltei ontem da praia onde descansei por três gostosos dias e aqui estou eu: lavando as roupas sujas, organizando a casa, planejando meu trabalho da semana que se inicia.

 

No café da manhã li alguns e-mails de alunos do programa Jornada Singular, a tarefa da semana era sobre qual a sua vida e trabalho dos sonhos. Vários insights, várias dúvidas. Medos e sonhos andam de mãos dadas, sempre.

 

Fiquei com este tema na cabeça: a vida ideal.

 

Volto meu olhar pro cesto de roupas sujas…ainda terei umas quatro máquinas cheias pela frente, já dei banho nas cachorras que estavam cheias de areia e carrapichos, assei pães de batata-doce pro café e daqui a pouco terei que fazer o almoço, responder os e-mails, deixar tudo pronto.

 

 

Quando falamos sobre a vida ideal dificilmente incluiremos nela esta parte: a dos bastidores. Poxa, quero tanto passear na praia! Está lá, na vida dos sonhos. E lavar a roupa suja depois? Quero tanto ver minhas cachorras pulando soltas pela natureza – e dar banho, tirar carrapicho e secá-las? Não, isso não entra na lista dos sonhos, da vida ideal.

 

E quando falamos de trabalho, a mesma coisa. Eu amo meu trabalho. Mas tem as planilhas, os relatórios, o controle financeiro e fiscal…que me cansam! Preferia pular esta parte, mas não posso!

 

Nossa vida e trabalho ideal sempre vem com um quê de romantismo. Nos sonhos ou nas estórias com final feliz a casa e as roupas são auto-limpantes, os filhos não dão trabalho e nem ficam doentes, as pessoas não tem TPM ou um dia ruim. Bem diferente da vida real.

 

A vida real é recheada de momentos não tão legais.

 

Cabe a nós definir como olharemos para estes momentos.

 

A pia está cheia de louça? Puxa, lembre-se de como foi o jantar! Seus filhos bagunçaram toda a casa? Mas que delícia de vê-los brincando, rindo e com saúde.

 

Eu estou cheia de roupas com restos de areia e protetor solar para lavar… mas a cada peça, a lembrança gostosa do momento vivido, do sol no meu rosto, da areia e da água do mar nos meus pés. Vale a pena a sujeira!

 

Muitas vezes não podemos mudar o mundo, a situação, temos que fazer o trabalho duro e pesado. Mas podemos reinterpretá-lo e começar a olhar com amor e gratidão à tudo o que nos acontece.

 

Hoje é domingo.

 

Você pode se deitar no sofá, assistir programas ruins na TV, ler um livro ou levantar agora e ir passear num parque. Pode reclamar que não tem nada na TV, que ler é obrigação, que o parque está longe e lotado. Pode escolher reclamar de tudo, sempre.

 

Ou pode chegar à conclusão de que a vida que você vive é reflexo das escolhas que você faz, ao agir e ao pensar.

 

Podemos reclamar menos e sermos mais gratos.

 

O que não significa que a vida está perfeita e ideal, significa apenas que é a vida, assim, com todas as superações, desafios e alegrias que a fazem tão linda e boa de ser vivida!

 

Viva bem e seja feliz.

 

 

 

 

Deixe a louça na pia – Sobre aprender o que realmente é importante pra você

Saber o que é importante para você, deveria ser quase lógico… só que não!

Mas…

Não deu tempo!

Quantas vezes você repetiu isso na última semana, nos últimos dias?

 

Nós mulheres acumulamos papéis e responsabilidades com a mesma facilidade que a pia acumula louça pra lavar (aqui em casa a louça brota na pia!!!).

 

Eu também já falei muito essa frase, num mix de culpa e desculpa.

 

Desculpa por não ter feito o que não queria mesmo fazer e culpa por não ter conseguido dar conta de tudo que precisava.

 

Questione-se:

  • O que não queria, porque não disse não.
  • O que precisava, tinha mesmo que você fazer e naquele momento?

Analise quantas “obrigações” você tem diariamente.

 

Eu posso falar da minha vida.

Hoje, domingo, já dei uma “ajeitada” em mim, lavei roupa, fui ao supermercado, respondi e-mails de trabalho, cuidei da minha horta, fiz almoço, lavei louça, sai com as amigas pra dar uma volta, conversei com a filha, ajudei ela a arrumar as coisas pra semana e se organizar, divulguei meu evento da semana e enquanto escrevo este texto sinto um cheiro do doce de abacaxi que eu cozinho lentamente aqui perto.

 

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E isso se repete diariamente, com algumas mudanças, dia após dia, bem provável que igual ao seu dia. Diariamente eu lavo, cozinho, me cuido, trabalho, escrevo, faço mkt, também sou o office boy e o financeiro da minha empresa.

 

Tudo cabe em 24h.

 

A grande gestão do tempo é quando começamos a fazer tudo caber neste espaço de tempo e de forma harmônica, leve.

E pra isso, não tem mágica ou sacada genial de um milhão de dólares (mas se alguém quiser pagar pela dica, ok também, posso comprar uma máquina de lavar louça).

 

Pra fazer tudo caber no seu dia, você precisa saber o que realmente quer e precisa fazer. E dizer não ao resto, sem peso e sem cobrança.

 

Somos bons em nos chicotear e cobrar perfeição – que não existe.

 

Faço questão de comprar meus legumes orgânicos e cozinhá-los, fazer almoço e janta, preparar uma alimentação balanceada pra minha família.

Mas não me cobro se tenho outras atividades e o almoço de um dia será macarrão com molho ou o marmitex meia boca da esquina.

Não será por uma ou duas refeições que todos terão anemia ou queda na imunidade, tenho fé.

 

 

Não faço mais unha sempre e não me cobro por isso, não tenho vergonha de mostrar minhas mãos de quem lava louça por aí.

 

Também não sinto a mínima vergonha em estar cansada e deitar depois do almoço pra um cochilo, quando consigo.

 

Assim como não me culpo por estar trabalhando até tarde e não conseguir dar boa noite pra minha filha em vários momentos.

 

Mas quando olho pras pessoas, quando me comparo, surge uma dúvida: será que estou agindo certo? Fulana é ótima em tal coisa. Saiba, ela provavelmente tem os mesmo problemas que você, apenas não fala sobre eles.

 

Nos comparamos com a visão idealizada dos outros e com os mil conselhos de revistas e especialistas.

Mas quem entende de você é você.

 

Eu sou mega especialista em Lilian. Sei o que me serve, o que gosto, o que preciso.

 

Você sabe sobre você? Sabe sobre o que realmente te faz bem e feliz ou está agindo para agradar aos outros e para se enquadrar nas páginas de revistas sobre Filhos, Casa, Corpo e Carreira? (que mudam suas pautas mensalmente: o ovo que faz bem hoje poderá ser o vilão da próxima edição) .

 

Acredite: seus filhos não morrem se jantarem besteira uma noite ou se forem dormir sem tomar banho, com os pés pretos de terem andado descalço pela casa, suja. E a louça também não muda sua estrutura após passar a noite toda suja na pia. Ela continua louça, e suja, esperando você. Você quem se cobra. O mundo continua mundo, ele gira com ou sem você.

 

Assim como as pessoas, em geral, só irão te ajudar quando você pedir.

 

Pra ter ajuda precisamos descer do salto de superioridade de mulher-maravilha que dá conta de tudo e dizer que não damos conta.

 

 

E deixar o outro fazer, de verdade, sem supervisionar a cada 3 segundos ou querer impor a técnica perfeita. Peça ajuda, delegue, e deixa os outros serem eles, agirem do jeito deles.

 

Não temos que fazer nada. Fazemos porque, por algum motivo, assumimos vários trabalhos e atividades e nos recusamos a olhar pra gente mesmo e ver o que faz sentido, o que queremos de verdade fazer.

 

Para nós.

 

Porque para mim é importante e não pelo que os outros vão achar ou em qual manual da pessoa perfeita está escrito.

 

Tenho que estar linda, ser culta, cuidar da casa e dos filhos, ter uma carreira excelente, etc. etc. etc. …

Na verdade, não temos nada disso.

Fazemos em geral porque queremos, escolhemos, optamos.

 

O que temos é que ser quem a gente é, de verdade.

 

Saber que se algo não faz sentido é só deixar de faze-lo ou dar um jeito pra que ele aconteça com menos esforço, menos cobrança.

 

Pergunte para o seu marido ou filhos, se eles preferem o jantar balanceado ou você sentada ao lado deles, sorrindo e feliz. Já sabemos a resposta, mas servimos primeiro o jantar.

 

Eu reconheço que sou imperfeita, erro bastante, muitas vezes estou cansada ou somente com vontade de não fazer nada e ficar jogada no sofá. E está tudo bem.

 

Vivo bem e no meu tempo.

Sem culpas, sem desculpas.

 

Decido este texto em especial a duas queridas amigas e tantas conversas e reflexões, Raquel e Fabiane

 

Ps. Escrevi este texto com uma visão bem feminina, bem “minha” sobre o tema (mãe, mulher, profissional), mas tem várias reflexões para os homens, para suas vidas e para ajudarem as mulheres com as quais convivem – mães, esposas, filhas…

 

 

Está mesmo tudo bem com você?

Tudo bem com você?

Quantas vezes, ao encontrar um conhecido que te fez essa simples pergunta  – Tudo bem? você não respondeu sem pensar: Tudo bem!, mesmo quando não estava bem?

O socialmente aceito, o piloto automático,  o convencional, o medo de expor nossas fraquezas e angústias nos faz dar respostas prontas: nem pensamos em como realmente estamos passando, no que estamos de fato sentindo.

Passamos para a próxima pauta da conversa.

E mais. Muitas vezes perguntamos aos outros se está tudo bem, simples e puramente por obrigação.

E se a pessoa disser pra você que não está bem e começar a falar sobre as angústias que vem passando, a ansiedade quanto ao futuro, o medo de algo não dar certo. Você vai querer mesmo ouvir?

Não aprendemos a falar sobre sentimentos, emoções.
Expor o que estamos realmente sentido é visto como fraqueza.

Também não aprendemos a ouvir as pessoas, de verdade.
Ouvir sem julgar, sem querer dar solução, sem comparar.
Ouvir com compaixão, respeitando a dor alheia.

Nossa prioridade é seguir modelos, padrões, sermos aceitos – e perfeitos.
Do lado de fora. Se não somos, ao menos tentamos aparentar, fingimos.

Mas em algum momento desmoronamos.

E então, vem as aulas e regras sobre equilíbrio emocional.
Controle-se, seja resiliente, aguente a pressão. Sendo que deveríamos ensinar: tudo bem chorar, tudo bem desabafar, coloque pra fora, externalize o que está sentindo, esta é a melhor forma de reequilibrar.
Porque não sabemos o que fazer com as emoções, então, quando fazemos algo, vem sem controle, desequilibrado emocionalmente – os famosos altos e baixos.

Não vamos conseguir equilíbrio emocional suportando algo que nos sufoca por muito tempo. 

Quando o leite ferve, em um segundo ele se esparrama por tudo, faz um desastre no fogão.
E sempre acontece no segundo em que nos viramos para pegar algo. Mas ele não ferveu de um segundo pro outro, foi um processo. O leite foi esquentando, esquentando…até que ferveu.

Assim somos nós. Aguentamos, aguentamos…até que transbordamos de forma errada, sem saber como lidar com o que estamos sentindo.

Muitos dos problemas nas relações pessoais ou profissionais, vem de não sabermos lidar com estas emoções e sentimentos, nossos e dos outros.
Muitas vezes somos PHDs em dar soluções mágicas e poderosas em conversas com amigos, mas não fazemos ideia de como realmente aplicar aquilo no nosso dia a dia.

Um bom ponto de partida para olhar para estes sentimentos é olhar pra você mesmo, no espelho, e se perguntar:
  Tudo bem com você?
Seja sincero, e esteja aberto e preparado para se ver profundamente.

 

Sobre o canibalismo moderno e a nossa competição desenfreada

Somos canibais modernos. Nascemos e crescemos para o sucesso, e muitas vezes, em nossa competição desenfreada, acabamos “engolindo” quem ousa atravessar o nosso caminho.

Competir. Vencer. Ganhar.

Nos acostumamos tanto com estes verbos que, naturalmente, começamos a colocá-los à frente de outros verbos, como ajudar, apoiar, entender, compreender.

 

Tudo começa cedo. Infelizmente cada vez mais cedo.

Crianças de 3, 4 anos bilíngues, com agenda lotada. É comum ouvirmos: “Meu filho tem que ser o melhor.” Me questiono: No que? E pra que?

Ah, já sei, pra vida! A vida é dura, é preciso estar preparado, ser o melhor, ter diferenciais. Foi isso que nos disseram, nos ensinaram, desde sempre.

E então chegamos nos 7, 8 anos. Tirar 10 na prova, ser o melhor da classe, ganhar a competição de matemática, a olimpíada escolar de ciências. Para dali a 2 ou 3 anos já estar se preparando para a faculdade.

Faculdade! O ápice da competição juvenil começa na entrada: 100 vagas para 1000 candidatos. Para ter sucesso é preciso estudar na universidade X, ter o diploma Y e trabalhar em empresas Z. E entrar na empresa Z não é pra qualquer um, será uma nova competição, um novo “vestibular”, afinal são poucas  as “boas” vagas.

 

Competimos o tempo todo.

Quem andou ou falou a primeira palavra mais cedo.

Quem entrou primeiro na escola, ou aprendeu a ler, ou tirou sua primeira nota 10.

Quem beijou primeiro, arrumou a primeira namorada, arrumou o primeiro emprego, teve a primeira promoção.

No trânsito caótico, a competição de quem acelera e chega primeiro. Competimos pela vaga no estacionamento, pela mesa na praça de alimentação do shopping. Competimos pelas melhores promoções nas lojas, competimos para sermos e parecermos melhores do que os outros, sempre.

Parece que a vida é isso: uma eterna competição para sabermos quem vai se dar bem primeiro, quem vai ganhar o que – ou pior: de quem!

 

E precisamos mesmo disso tudo? Sucesso é isso? E o caminho da competição é o único a ser seguido?

Todo este texto, estas dúvidas que espero ter colocado em sua cabeça, servem apenas para uma coisa: refletirmos sobre o quanto fomos criados para competir – e o quanto repetimos e incentivamos este modelo à cada nova geração.

 

Vencer não está errado, está certíssimo.

O que para mim está errado é o modelo onde, para ganhar, eu preciso derrotar ou passar por cima de alguém. Preciso eliminar alguém. Repito: precisamos mesmo?

 

Preciso ser melhor sim. Melhor do que eu mesmo, e não melhor do que o outro. A competição é interna.

Está lá, em algum lugar da Bíblia: “Amai-vos uns aos outros.” E até onde eu sei, ainda não saiu a versão revisada, escrita: exceto em casos de vestibular, busca de emprego ou promoção. Amai-vos sempre. A cada dia. Independente da situação financeira, da cor da pele, da posição que a pessoa ocupa, da vantagem que ela possa te oferecer.

 

E aqui entram dois termos que também tenho questionado muito: Vantagem e Oportunidade.

Se algo foi vantajoso, é necessário refletir: e para alguém, isso foi uma perda? Se a vantagem significa, mesmo que implicitamente, que alguém foi prejudicado, simplesmente não foi vantagem.

E o mesmo serve para oportunidade, principalmente no mundo dos negócios e parcerias. Se algo é uma oportunidade para mim, significa que estou levando vantagem sobre outro? Se sim, analise. Parceria e oportunidade real, é benéfico para todos que participam.

Quando apenas um lado se beneficia isso não é oportunidade, é ganho unilateral. Alguém saiu perdendo para você sair ganhando.

 

Toda essa nossa ânsia por competir e ganhar tem nos tornado adultos infelizes e ansiosos. Não vamos ganhar sempre. Na vida real, diferente do que acontece nos jogos de tabuleiro ou eletrônicos, não dá pra guardar na caixa ou reiniciar quando a situação está ficando nebulosa. É preciso insistir, muitas vezes quebrar a cara, para então crescer, evoluir e ter sucesso.

Se nós estamos cada vez mais ansiosos e frustrados, o que dizer dos jovens? Estamos criando jovens despreparados para as derrotas e quedas, tão comuns na vida real. O mercado de trabalho está lotado de mini gênios phd’s que dão chilique quando contrariados ou quando algo dá errado.

 

 

Entupimos a agenda das crianças com obrigações e atividades, buscando as preparar para a vida adulta bem-sucedida, e quando esta fase chega, eles já aprenderam a lição: não aprenderam a relaxar, a descontrair, brincar e aproveitar o ócio. Estão estressados, sufocados, sendo cobrados pela máxima performance e resultados a qualquer custo. A meta é ser melhor e mais eficiente a cada dia.

 

Não sabemos relaxar e nem lidar com o que dá errado. E se temos uma certeza na vida, é a de que costumeiramente, muita coisa dará errado.

Precisamos justificar cada momento de descanso com algo construtivo, que nos ensine algo, que colabore com a nossa trajetória profissional, que nos enriqueça culturalmente para termos o que falar num próximo encontro – e assim, ganhar “moral” com os presentes e mostrar que entendemos mais do que os outros sobre tal tema – novamente, ganhar.

 

E de onde nasceu grande parte dessa nossa competitividade? Do paradigma da escassez.

A escassez se inicia quando acreditamos que algo vai faltar. Não terá comida, não terá dinheiro, não terá emprego, não terá onde morar. E não ter algo tão importante, traz o medo. E quando tenho medo, me defendo.

Acreditamos que a melhor defesa, é o ataque. Preciso competir e ganhar.

 

Mas a melhor defesa é acreditar e viver no paradigma da abundância. Onde tudo é farto, abundante e suficiente para todos. Que se todos se empenharem, fizerem sua parte e não guardarem mais do que precisam ter, sempre haverá o suficiente para todos.

 

Leia mais sobre  Abundância e Escassez clicando aqui.

 

Quando passamos a acreditar e agir movidos pelo paradigma da abundância, o fluxo de reais oportunidades acontece em nossa vida.

O fluxo da abundância é como a água de um rio: a água continua seu caminho, mesmo que pedras caiam em seu leito. Mas se um fazendeiro por onde o rio passe resolve represá-lo, faltará água no próximo sítio. Mas não deveria. Em seu estado natural, a água seria suficiente para todos. Alguém ficou com mais do que precisava.

 

Mas não basta apenas acreditar que algo bom vai acontecer, é preciso agir.

E como podemos mudar esse pensamento, guardar a competição para os momentos realmente necessários?

 

Estarmos conscientes de que estamos competindo.

Analisarmos nossas ações, sabermos a real intenção de cada ato. Como disse acima, vencer é bom, mas precisamos estar cientes do preço de cada vitória, e se realmente o troféu final valeu a pena.

É como o general que chega ao final da batalha, ganha a guerra mas olha em volta e vê que nenhum soldado permaneceu vivo. Valeu a pena ganhar?

Muitas vezes, em nossas batalhas diárias, perdemos amigos, família, saúde e até mesmo nossos valores. Tenha consciência de suas batalhas.

 

Saber quais bandeiras devemos levantar

Muitas vezes entramos em batalhas que não são nossas. Defendemos a bandeira de um amigo, de um parente e até mesmo de uma empresa. Lutamos por uma causa que às vezes nem sabemos direito qual é. E quando tomamos consciência, percebemos que a luta não é nossa.

Consciência, mais uma vez – e como sempre – ela aparece.

Abandone a guerra. Peça desculpas a quem tiver machucado, tente ajudar. Sempre é tempo de mudar lado, de opinião.

 

Triste não é mudar de ideia. Triste é não ter ideias para mudar.

 

Ter clareza sobre o que te motiva a competir

Existe um real motivo para a competição ou existe outro caminho? Em muitos casos, a competição acaba ocorrendo por hábito ou por ego, e não pela batalha ou prêmio em si. É um simples vencer para provar aos outros quem é o melhor.

Uma frase que gosto muito e que pode te inspirar:

“Na terra do “eu sei”, há sempre competitividade, ciúme, pretensão, orgulho e arrogância. É um reino agressivo – o reino do ego. Eu digo, recuse a cidadania. Na terra do “eu não sei”, os habitantes movem-se sem conflito e são naturalmente serenos, felizes e em paz. O sábio permanece aqui.” Mooji

 

Estabelecer reais parcerias – o verdadeiro ganha-ganha

Pense sempre no real motivo de estar fazendo um negócio, propondo uma parceria. Se o ganho é só seu, deixe isso claro, peça ajuda, e se os demais envolvidos aceitarem, sem problemas. O ganho unilateral será consciente. Assim não há desequilíbrio, o fluxo continuará a agir.

 

Amar a todas as pessoas e seres vivos

Quando eu realmente amo outro ser, não quero que nada de ruim aconteça para ele. Simples assim. Como eu serei o agente de sofrimento ou privação dele? Realmente, o amor é sempre a melhor escolha.

 

A vida não é sobre quem ganha. É sobre quem vive.

Você já escalou uma montanha, fez uma trilha, se desafiou num caminho íngreme na natureza? Eu já. Se você não fez, posso te contar sobre a minha vivência.

Na trilha, na montanha, não há competição, não existe o “chegar”. Existe o caminhar, o evoluir. A graça está no caminho e na superação, não no ponto final.

Por isso comparo a trilha com a vida. As duas únicas certezas que temos é que nascemos e que um dia morreremos. O início e o fim da caminhada. A aventura está no que você fará pelo caminho.

Você vai destruir a mata, derrubar as pedras, poluir os rios e matar os passarinhos ou vai seguir observando o esplendor da natureza à sua volta, aproveitar a paisagem, se refrescar no riacho, se deslumbrar com a vista no meio da montanha?

 

A vida é isso, um vai e vem de belezas, felicidades e emoções.

Mas quando nos preocupamos demais em competir, ganhar e acumular, perdemos o que há de mais lindo: nossa capacidade de nos emocionar com as coisas mais bonitas e singelas.

Viva Feliz.

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Pare de seguir regras que não te servem

Minha filha está entrando na adolescência e se eu pudesse dar um único conselho pra ela, que fizesse sentido para toda a vida, seria este:

Pare de seguir regras!

(E mais: não se importe minimamente com as regras estabelecidas!).

 

Não seguir regras nada tem a ver com posturas antissociais, falta de educação, ser destemido.

Está ligado a ouvir mais o seu coração e menos a razão.

É saber o que faz bem para você, independente do que o mundo te cobra ou exige. A nota baixa de matemática é compensada por um caderno lindo cheio de desenhos. A má postura na aula vem recheada de contestações sobre direitos e deveres.

 

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O que é mais importante: seguir o que foi pré-determinado ou questionar e ousar mudar o mundo?

 

 

Um exemplo sobre regras é a eterna questão: Qual profissão escolher?

Vejo tantos talentos desperdiçados, pais que não querem filhos músicos, dançarinos, artistas.

Eu quero é viver com gente feliz, não importa se é médico, engenheiro ou a atendente maquiada e feliz que me serve um café enquanto conversamos amenidades!

Pra ser feliz você tem que se permitir ser e fazer o que você ama, viver plenamente, sem pesos e culpas. Oras bolas, tantos adultos frustrados, com mil dúvidas sobre o que estão fazendo de suas carreiras e nós cobramos isso de jovens de 13, 15, 18 anos?

Eu ainda não sei o que quero fazer o resto da minha vida!

Esta semana quero escrever, semana que vem quero viajar e na outra posso querer cozinhar! Habilidades, experiências e gostos cultivados durante quase 40 anos, mas que não me definem na totalidade. Não sou isso, estou momentaneamente isso!

Não aprendemos a ser nós mesmos, porque crescemos sendo obrigados a seguir padrões:

  • Seu filho tem mais de 1 ano e ainda não anda?
  • Como assim o seu filho ainda toma mamadeira?
  • Mas você tem mais de 30 anos e ainda mora com seus pais?
  • Já está quase com 40 e não teve filhos?
  • Já está chegando nos 50 e não tem a casa própria?

 

 

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E quem disse que este padrão é o melhor? Porque a maioria faz igual? E se a maioria estiver errada?

Prefiro testar o novo e ser feliz agora, hoje mesmo, todo dia.

 

 

 

A vida tem que ser muito mais do que regras e padrões.

Tem que ser liberdade, felicidade, autenticidade.

 

Sim, pode comer a sobremesa primeiro!

Sim, pode correr e cantar na chuva!

Sim, pode se permitir ser feliz, a cada segundo.

 

Quebre as regras e seja feliz!